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 Lideranças e moradores se mobilizam contra pedágio na MG-424
Lideranças e moradores se mobilizam contra pedágio na MG-424
Audiência reúne vários prefeitos e moradores em busca de alternativas para a melhoria da rodovia.
Reportagem de Ronaldo Araújo
Repórter
Publicada 07/12/2017

Moradores e lideranças de cidades ligadas pela MG-424, querem evitar a instalação de duas praças de pedágio na rodovia, entre a junção da MG-010, em Vespasiano, e Sete Lagoas. Isso está previsto em projeto de concessão do governo de Minas.

Por outro lado, prefeitos admitem que não podem mais esperar pelas melhorias na estrada, considerada muito perigosa e um gargalo ao desenvolvimento da região. A obra é reivindicada há décadas e já foi prometida em várias gestões. Em função disso, alguns preferem pagar a não ter a melhoria.

Em busca de soluções, eles se reuniram na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quarta-feira (06), em audiência da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte. O encontro foi solicitado pelos deputados João Leite (PSDB) e Sargento Rodrigues (PDT).

Um das alternativas, sugerida pelo prefeito de Matozinhos, Antônio Divino, foi que os deputados apresentem emenda ao Orçamento para garantir recursos para a reforma da rodovia. Sargento Rodrigues se prontificou a tentar esse entendimento, ainda que por acordo de lideranças.

Outro requerimento, apresentado por Rodrigues, João Leite e Felipe Attiê (PTB), presidente da comissão, visa mobilizar a bancada federal mineira para que aporte recursos na obra. Os mesmos deputados querem também discutir o impacto de eventual cobrança de pedágio nas tarifas de transporte público na região.

Deputados criticam proposta

João Leite comemorou a duplicação, segundo ele, um sonho antigo de toda a região e uma nova opção para o Aeroporto de Confins. Mas se posicionou contra a cobrança de pedágio, que vai sacrificar moradores de todos os municípios daquela área.

Ele salientou que a estrada já está duplicada até Pedro Leopoldo e que o restante nem terá uma duplicação completa, já que alguns trechos terão pista simples. “O Estado é que deve pagar por isso, com empréstimos, por exemplo. Vamos reagir a isso e judicializar essa questão”, avisou.

Sargento Rodrigues frisou que o cidadão já está indignado com a alta carga tributária e que a instalação de duas praças de cobrança num total de 51 quilômetros é uma “roubalheira institucionalizada”. “O Poder Público é voraz em tributar e, às vezes, perde o limite”, afirmou. O deputado sugeriu que os moradores fechem a rodovia para pressionar o governo a duplicá-la.

Contraponto – Já o deputado Leonídio Bouças (PMDB) ponderou que a arrecadação do Estado mal dá para pagar a folha de pagamento e que, se a estrada não for feita com pedágio, não será duplicada. “Se a duplicação não for completa, isso deverá ser levado em conta no contrato. Judicializar essa questão é empurrar com a barriga”, afirmou.

Tráfego sairá dos centros urbanos

O projeto de reforma e duplicação da MG-424 terá contornos para evitar dois gargalos atuais: os perímetros urbanos de matozinhos e Prudente de Morais. Segundo Antônio Divino, prefeito de Matozinhos, o fluxo é de 2.200 veículos por hora na cidade, incluindo-se caminhões que evitam a BR 040, que já tem cobrança de pedágio.

“Entre ter a estrada e pagar pedágio e não ter a estrada, eu, como cidadão, prefiro pagar”, desabafou. Segundo ele, regiões com pedágio, como o Sul de Minas e o Sul do País, estão em desenvolvimento graças à oferta de boas estradas.

“Todos foram contra o pedágio em Sete Lagoas. Mas a cidade virou um polo, atraiu empresas. Ninguém quer se instalar em um local sem a garantia de uma rodovia de qualidade, ponderou também o secretário de comunicação de Sete Lagoas”, Bruno Violante.

Diversos cidadãos, porém, argumentaram que o próprio governo deveria arcar com os custos, tendo em vista, por exemplo, a atração de novos investimentos que a rodovia poderá trazer, até mesmo para o Aeroporto de Confins. “O trecho entre Pedro Leopoldo e Belo Horizonte já está pronto”, ponderou Matheus Utsch.

“A passagem de ônibus de Matozinhos a BH custa R$ 15. Moradores da cidade perdem oportunidades de emprego em BH porque o patrão não quer assumir esse custo de R$ 30 por dia. E ainda vamos pagar mais por causa do pedágio”, criticou também Aline Tavares.

Governo se diz aberto ao diálogo

A diretora de Concessões da Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas, Samira Marx Pinheiro, afirmou que a pasta está aberta a discutir alternativas para a construção da via. Ela explicou aspectos técnicos e de construção da tarifa, que leva em conta receitas e despesas da concessionária, bem como o fluxo de veículos do ponto escolhido para a cobrança.

Uma proposta, trazida pelo prefeito de Pedro Leopoldo, Cristiano Marião, foi de reposicionamento das praças de pedágio. A cidade será a mais penalizada pelo pagamento do pedágio. Segundo o prefeito, um posto na saída de Belo Horizonte, por exemplo, teria maior movimento e, logo, menor valor de pedágio.

O vice-prefeito, Salim Salema, acrescentou que Pedro Leopoldo já tem seu desenvolvimento limitado pelas restrições ambientais relacionadas, por exemplo, à APA Carste. “Há previsões de novos investimentos no Aeroporto de Confins. O próprio governo deveria refazer a estrada, sem penalizar os moradores”, defendeu.

Da Redação.

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